Os números mostram que apesar os juros da dívida pública estarem a subir e a renovar sucessivos valores máximos, o Estado não vai reflectir essa subida para os investidores particulares que comprem os Certificados do Tesouro em Abril.
Assim, para as aplicações feitas no próximo mês, o IGCP prevê um juro anual de 7,1% para quem mantiver o dinheiro investido por um período de 10 anos. Trata-se do mesmo valor oferecido para as subscrições feitas durante o mês de Março. No entanto, as yields das Obrigações a 10 anos - que servem de referência para o cálculo dos juros dos Certificados do Tesouro - estão a negociar acima dos 8% nos últimos dias.
Já quem mantiver os certificados por um período de cinco anos terá acesso exactamente à mesma remuneração que estava prevista para as subscrições feitas em Março: 6,8%. Isto, apesar das yields das obrigações do tesouro a cinco anos - que servem de referência para o cálculo dos juros dos certificados do tesouro neste prazo - terem tocado hoje os 9%.
O único prazo onde o IGCP fez alterações na remuneração foi nas aplicações feitas para quem mantiver o investimento entre o primeiro e o quinto ano. Neste caso, o juro previsto para Abril passará dos actuais 1,70% para os 1,95%.
Recorde-se que o IGCP não divulga a fórmula de cálculo da remuneração dos Certificados do Tesouro. No entanto, os números mostram que o Estado não mostra a mesma disponibilidade para oferecer aos investidores particulares juros semelhantes aos praticados para os investidores institucionais que compram obrigações do tesouro.
In: Diário Económico