Os resultados do inquérito do Banco de Portugal a cinco bancos representativos do mercado de crédito à habitação divulgados recentemente revelam que os bancos não só se tornaram ligeiramente mais restritivos, no primeiro trimestre, como ainda prevêem tornar-se significativamente mais exigentes nos critérios de concessão deste tipo de crédito no futuro.
Este comportamento deveu-se, por um lado, ao aumento dos custos de capital e restrições de balanço dos bancos e, por outro, à forte deterioração das expectativas quanto à actividade económica, em geral, e ao mercado de habitação, em particular.
Para isso também contribuiu a deterioração das expectativas dos bancos quanto à capacidade dos consumidores de assegurarem o serviço de dívida.
Esta política de crédito à habitação mais difícil traduziu-se num aumento considerável dos spreads praticados, especialmente nos empréstimos concedidos a clientes de maior risco, e da fixação de relações de financiamento e garantia mais exigentes, em que os bancos obrigam a uma proporção maior de capitais próprios face aos montantes de empréstimo.
Para o segundo trimestre de 2011, os bancos revelaram que pretendem tornar-se ainda mais restritivos na aprovação de crédito à habitação.
É evidente que o crédito à habitação deixou de ser um produto activamente promovido pelos bancos nacionais, devido ao facto de ser extremamente consumidor da liquidez dos bancos e das perspectivas para o mercado imobiliário nacional não serem as melhores.
Adicionalmente, a subida das taxas por parte do Banco Central Europeu, no mês passado, marca o início do ciclo de subida das taxas de juro no segundo semestre deste ano, sendo já bem visíveis os aumentos nas Euribor. Refira-se que desde os mínimos atingidos, há cerca de um ano, a Euribor a 6 meses já subiu cerca de 0,75%.
A perspectiva de as taxas de juro continuarem a subir, adicionada à elevada probabilidade de os portugueses verem o seu rendimento disponível reduzir-se como consequência do previsível aumento de impostos, faz também que os bancos sejam extremamente prudentes quanto à taxa de esforço máxima que os clientes podem suportar.
A cada vez maior dificuldade em obter crédito à habitação irá continuar tendencialmente a deprimir o valor das casas e a incentivar o mercado de arrendamento.
No entanto, de um ponto de vista de gestão das finanças pessoais, não há dúvida de que comprar casa com crédito à habitação é muito mais vantajoso do que alugar. Uma vez que à partida o valor das prestações é só ligeiramente superior ao das rendas, mas uma parte significativa da prestação do crédito à habitação é capital, isso permite acumular património que de outra forma dificilmente irá acontecer.
Se anda à procura de crédito à habitação apresentamos, no quadro abaixo, o resumo das ofertas actuais dos principais bancos.
In: Diário de Noticias