Banco de Portugal quer refrear taxas nos Depósitos

Face à guerra que os bancos estão a travar para a captação de depósitos, o Banco de Portugal tenta desincentivar as instituições financeiras a praticarem taxas excessivamente altas através da obrigatoriedade de esses depósitos serem comunicados ao Banco de Portugal.

Assim, os bancos vão passar a ter de comunicar, obrigatoriamente, a existência de depósitos com taxas de juro superiores em mais de 3% à taxa de referência para o mesmo prazo.

Com esta medida, o Banco de Portugal visa dois objectivos: desincentivar a prática de depósitos com taxas demasiado elevadas e estar informado das condições que a banca está a praticar, mesmo que estas não sejam públicas.

O Banco de Portugal pretende arrefecer um pouco os ânimos, mas também estar em cima daquilo que poderá ser um indicador de risco de um banco entrar em incumprimento.

Basta lembrar os sinais que eram visíveis a todos nas taxas praticadas pelo BPN, muito acima da concorrência e que claramente revelavam necessidade de tesouraria, para entender que estes são sinais importantes de alerta.

No entanto, na fase que actualmente Portugal atravessa, com o mercado interbancário totalmente desinteressado em financiar os bancos nacionais, as elevadas taxas praticadas pelos bancos nos depósitos a prazo são perfeitamente normais e certamente muito mais baixas do que as que os bancos teriam de pagar se fizessem uma emissão de obrigações.

Com o Estado português a financiar-se a 10 anos a uma taxa de 11%, os bancos provavelmente teriam de pagar algo entre os 12% e os 13%, o que é totalmente desinteressante para os bancos. Assim, nos próximos meses, os bancos estão condenados a ter de oferecer taxas extremamente elevadas, pois não possuem outra alternativa e é natural que com esta medida do Banco de Portugal as taxas continuem a aumentar, sobretudo para os depósitos que passarem o ano.

Neste momento, o prazo ideal deverá ser de seis meses, ou então optar-se por depósitos a vários anos.

De facto, os melhores depósitos são a vários anos, com pagamento periódico de juros, em que os clientes podem sair sem qualquer penalização após o pagamento dos juros. Assim, os clientes ficam com a opção de sair, se encontrarem um depósito melhor. São exemplos o depósito 3,75% do Banco Finantia, o DP Rendimento CR do BES e os DP Crescentes do Banif.

No quadro abaixo, bem como no site www.moneygps.pt, pode consultar as melhores ofertas de depósitos a prazo, em função do prazo e do montante.

E é sempre importante não esquecer que o máximo coberto pelo fundo de garantia de depósitos é de 100 mil euros por titular até 31 de Dezembro de 2011.

Aviso importante: Não dispensa a consulta das condições completas dos produtos junto das respectivas instituições financeiras.

In: Diário de Noticias


 



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